Prefeito de Salgadinho é preso durante operação que investiga fraudes em licitações, “rachadinha” e lavagem de dinheiro
Jeosadaque Barbosa Salgado, conhecido como Joia, foi preso em flagrante pelo GAECO; na residência do prefeito foram encontrados cerca de R$ 580 mil em espécie. Presidente da Câmara, esposa do gestor, também foi afastada do cargo.
Salgadinho, Agreste de Pernambuco — O prefeito de Salgadinho, Jeosadaque Barbosa Salgado, conhecido como Joia, foi preso em flagrante na manhã desta quarta-feira (9), durante a Operação Dinastia, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
A operação investiga uma suposta organização criminosa formada por integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo de Salgadinho, com participação de servidores ocupantes de cargos comissionados. Segundo o MPPE, o grupo é investigado por fraudes em licitações, desvio de recursos públicos por meio de “rachadinha” e lavagem de capitais.
Cerca de R$ 580 mil encontrados
Durante o cumprimento das medidas judiciais, os investigadores encontraram aproximadamente R$ 580 mil em dinheiro vivo na residência do prefeito e de sua esposa, Elane Barbosa de Lima Salgado, presidente da Câmara Municipal de Salgadinho.
Em outro endereço alvo da operação, foram apreendidos aproximadamente R$ 167 mil em espécie e R$ 165 mil em cheques. Os valores e demais materiais recolhidos deverão ser analisados no decorrer das investigações.
Prisão do prefeito
De acordo com o MPPE, Jeosadaque Salgado foi preso em flagrante por suspeita de tentativa de obstrução das investigações e lavagem de dinheiro.
Além da prisão, a Justiça determinou o afastamento do prefeito do cargo público e da presidente da Câmara Municipal. Também foi determinada a indisponibilidade de bens imóveis atribuídos ao líder da organização investigada.
Presidente da Câmara também é investigada
A presidente da Câmara de Salgadinho, Elane Barbosa de Lima Salgado, esposa do prefeito, também é investigada no procedimento e foi afastada judicialmente da função.
Segundo o Ministério Público, integrantes do Executivo e Legislativo municipais teriam utilizado servidores comissionados para viabilizar o esquema investigado.
Entre as suspeitas está a prática conhecida como “rachadinha”, enquadrada pelo MPPE como peculato-desvio, além de possíveis fraudes em processos licitatórios e posterior lavagem dos valores por meio de pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados.
Operação ocorreu em três municípios
Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão nos municípios de:
Salgadinho, no Agreste;
Passira, no Agreste;
Carpina, na Zona da Mata Norte.
A operação contou com o apoio das Polícias Civil e Militar de Pernambuco. Todas as medidas cautelares foram autorizadas pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
Durante as diligências, também foram apreendidos documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais, que serão analisados pelos investigadores para aprofundar a apuração.
🔎 Investigação continua
O MPPE informou que a Operação Dinastia tem como objetivo desarticular uma organização criminosa supostamente voltada à prática de crimes contra a administração pública.
Até o momento, as acusações estão em fase de investigação, e a eventual responsabilidade criminal dos envolvidos ainda deverá ser apurada pelas autoridades e submetida ao devido processo legal.
O Sertão PE continuará acompanhando o caso e as próximas decisões da Justiça.
Fonte: Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

